Neste breve texto, tentarei explicar e analisar o que fora falado e discutido no 40º Colóquio de Relações internacionais, atribuindo toda a atenção para o 3º e penúltimo painel dos 2 dias (8 e 9 maio), onde uma onda internacionalista fez com que especialistas e alunos se juntassem com a finalidade de um aprofundamento e descoberta de um tema ultimamente controverso, mas porém pouco falado: O poder dos media na alteração da visão do sistema e política internacional.

O terceiro painel teve como oradores e participantes, 4 convidados: a embaixadora finlandesa Tarja Laitiainen, o embaixador Luís Barreira de Sousa, a Dra. Eva Claessen, o Dr. Moahmed Barakat e como moderador, o Professor Doutor José Palmeira.

Com declarações iniciais, a Dr. Tarja Laitiainen começa por descrever o seu trabalho e a sua própria experiência no que toca ao contacto entre política e os media.
Tarja afirma que na década 80, este problema de distorção e sobrelotação de informação não era um problema pois, segunda ela, tanto os media como os policy makers não tinham interesse numa aprofundação destes. No entanto, é preciso salientar que estes problemas são originados (tendo um cariz proporcional) com o desenvolvimento e adaptação da tecnologia e ao seu fácil acesso.
“They were confidential material”
“The policy makers didn’t want to handle the media”
“Politicians want more accuracy”
Estas expressões mostram que nem tudo era distribuído para o público e que havia, também, cautela e proteção do tipo de informação divulgada.
Com estas declarações, é visível através de um método comparativo, analisar a transformação da relação dos políticos (termo propositadamente ambíguo) com os jornalistas e media em geral: existe então uma aproximação e um interesse mútuo entre estes dois atores, que através de uma “simbiose”, atuam em prol do seu sucesso. É facilmente visível pois seria extremamente difícil ver uma media politica e parcialmente condicionada como hoje vemos (exemplo da Cnn democrata e Fox republicana).
Para concluir, Tarja afirma num aparte, que um jovem grupo jornalistas criaram um livro que desenvolve o tema do jornalismo político e do combate da parcialidade e da desinformação.
Tarja, aconselha também a criação de um departamento especializado dentro dos media, capaz de “shut down fake news”
“We need more transparency and self criticism in the media”
Já o embaixador Luís Sousa, responsável português no Plano de Ação da União Europeia de combate à desinformação, afirma que este problema não é de agora e que em 2015, fora acordado um documento comum político com potencial de causar um notável impacto – no então falhara e foi um “step back”.

Ao continuar, Luís Sousa mencionara o impacto no sistema internacional dos media fora da união europeia e do ocidente: Sputniknews, canais chineses, Russia Today entre outros, foram estudados e falados, com especial atenção na sua narrativa, fonte e agenda.
Tocou levemente também no refendo de 2016 do Brexit e de uma campanha de desinformação com “4 fases”.
Para concluir a sua intervenção, menciona a tentativa fracassada europeia em várias ocasiões, tendo estas sido falhadas devido à desconfiança por vários Estados-Membros e dos seus serviços secretos e de informação. Esta limitação fez com que qualquer intervenção sobre este tema fosse discutido no Parlamento Europeu.
A terceira intervenção de Eva Claessen teve um foco na tecnologia e arquitetura da Internet.
“The problem is that misinformation can be created by anyone”
Esta pode muito bem ser a expressão que melhor explica o problema. É praticamente impossível prevenir as fake news num ambiente socialmente democrático e livre. Daí a necessidade de ações reativas e não preventivas. O espaço digital não está preparado para o combate das fake news, sendo estas facilmente dispersivas, sendo a fonte um agente estatal ou não.
Para terminar a intervenção dos 4 convidados, o Dr. Moahmed Barakat inicia o seu discurso por mostrar a sua desilusão perante as eleições europeias em Portugal, evidenciando ao dizer que não viu nenhum poster ou qualquer mecanismo de divulgação, mostrando-lhe a falta de interesse.

Continua salientando a extrema importância dos lobbies e dos serviços secretos, prosseguindo ao exemplificar com a influência do conselheiro do Presidente Norte Americano no Parlamento Europeu.
“Countries and media intervene in our decision maker”
Segundo Barakat, em 2003, os governos europeus “sentiram-se obrigados” a intervir no Iraque, ainda hoje sentindo consequências. Tony Blair, justificou a intervenção ao afirmar que o Iraque tinha armas químicas e constitua o país iraquiano “perigoso”. (Aprofundou ainda mais, dando outro exemplo com outro país islâmico: a Líbia.)
“Media is dangerous”
Para terminar, Barakat mostra como é possível apenas apresentar um lado da história, descartando a verdade imparcial. Afirma, portanto, que os canais informativos, através de uma escolha deliberada e proposita, apresentam comentadores e jornalistas que contam a sua narrativa através de uma ideologia, desvalorizando e ignorando a verdade ou o outro lado (que precisa de ser apresentado ao público).
Afirma também a presenta de uma oligarquia na esfera das informações que controlam o que pode ou não ser público.
Para terminar, é visível um problema na desinformação. Contudo, noto que ainda é mais visível a falta de uma solução. Apesar das tentativas, tanto por instituições, tanto pelas redes sociais, o fim das fake news está diretamente ligado à subjetividade e à ideologia pessoal.
No entanto e como foi mencionado pelos participantes no colóquio, uma possível solução é a educação. Não só a educação “do and don’t”, mas talvez uma educação que possibilita ao cidadão comum pesquisar o que leu ou ouviu, verificar a sua veracidade e de distinguir o que é um facto e o que é uma opinião.
Bibliografia
How fake news caused Brexit https://eu-rope.ideasoneurope.eu/2017/11/14/fake-news-caused-brexit/
CECRI https://www.facebook.com/pg/cecri.uminho/posts/?ref=page_internal